Fundação Araripe leva experiências da Caatinga à COP17 da Desertificação, na Mongólia
Instituição integra espaços oficiais da conferência da ONU e apresenta soluções para conservação dos recursos naturais e convivência com a semiaridez
A experiência acumulada pela Fundação Araripe no enfrentamento à desertificação e na promoção do desenvolvimento sustentável no Semiárido brasileiro integra os debates da 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17 da UNCCD), realizada entre os dias 17 e 28 de agosto, em Ulaanbaatar, capital da Mongólia.
Credenciada junto à Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, a Fundação participa da COP17 com uma agenda que inclui dois eventos: um no Pavilhão Brasil e outro na programação oficial de eventos da Conferência, aprovado pela UNCCD. A instituição leva ao encontro experiências construídas a partir da atuação direta em territórios semiáridos e subúmidos secos do Nordeste brasileiro.
Com o tema “Restaurando a Terra. Restaurando a Esperança”, a COP17 reúne delegações de 197 países para discutir estratégias de enfrentamento à desertificação, à degradação da terra e aos impactos da seca. Criada a partir das discussões da Rio-92, a UNCCD integra, ao lado das convenções sobre Clima e Biodiversidade, os principais acordos ambientais multilaterais das Nações Unidas.
Nesta edição, o debate ganha ainda mais relevância diante do avanço da degradação das terras em diferentes regiões do planeta. As discussões envolvem a mobilização de recursos para o manejo sustentável das paisagens rurais, o desenvolvimento de tecnologias voltadas à segurança hídrica e alimentar e estratégias capazes de reduzir os impactos ambientais, sociais e econômicos associados à desertificação.
O Brasil participa da COP17 por meio do Pavilhão Brasil, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). O espaço reúne iniciativas brasileiras de combate à desertificação e promove intercâmbios e articulações para a cooperação internacional.
Experiências construídas no Semiárido
Ao longo de 26 anos, a Fundação Araripe tem incorporado o combate à desertificação como um dos eixos de sua atuação. Os projetos desenvolvidos pela instituição trabalham alternativas para enfrentar fatores relacionados à degradação das terras, como o desmatamento associado à demanda energética, a sobrecarga animal e a utilização de sistemas produtivos que comprometem os recursos naturais.
As experiências levadas à COP17 demonstram possibilidades de uso sustentável da Caatinga associadas à conservação das paisagens, da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos. Entre elas estão práticas de manejo que permitem conciliar a conservação do bioma com a produção de forragem, mel, madeira e frutos, além de tecnologias sociais para conservação do solo e da água e iniciativas relacionadas à bioeconomia.
Para o diretor técnico da Fundação Araripe, Francisco Campello, a participação na COP17 permite inserir as experiências da Caatinga em uma discussão que envolve regiões secas de diferentes partes do mundo, levando a mensagem de que sabendo usar de forma sustentável os recursos naturais atende as demandas da sociedade sem degradar o meio ambiente. “A Caatinga possui experiências concretas que mostram ser possível produzir, gerar renda e, ao mesmo tempo, conservar os recursos naturais. O enfrentamento à desertificação passa necessariamente por modelos que reduzam a pressão sobre a vegetação, conservem o solo e a água e fortaleçam sistemas produtivos adequados às condições das regiões semiáridas. Levar essas experiências à COP17 é também mostrar a contribuição que o nosso bioma pode oferecer para esse debate global”, destaca.
As ações desenvolvidas pela Fundação buscam ainda fortalecer a segurança alimentar, hídrica e energética das populações, ampliando as possibilidades de convivência sustentável com a semiaridez. Nesse contexto, a instituição apresenta as florestas secas não apenas por sua importância ambiental, mas também pelo potencial de contribuir para uma economia inclusiva e sustentável.
Segundo a secretária-geral da Fundação Araripe, Patrícia Campello, a presença da organização em um espaço internacional também reforça a importância da participação da sociedade civil na implementação da Convenção.
“Estar na COP17 representa a oportunidade de compartilhar uma trajetória construída junto às comunidades rurais e aos povos e comunidades tradicionais do Semiárido. São experiências que partem das realidades dos territórios e mostram que o combate à desertificação precisa integrar conservação, inclusão social e desenvolvimento. A participação da sociedade civil é fundamental para aproximar os compromissos internacionais das ações que efetivamente acontecem nos territórios”, afirma.
A participação na COP17 fortalece a inserção da Fundação Araripe nos espaços internacionais dedicados às regiões secas e amplia o intercâmbio de experiências para o enfrentamento à desertificação, reafirmando a contribuição da Caatinga e das comunidades do Semiárido para a construção de soluções diante dos desafios ambientais e climáticos.

