Projeto Pomares da Caatinga entrega mais de 40 mil mudas no Ceará e em Pernambuco
A ação integra a meta de plantar 500 mil mudas ao longo de três anos de execução
A Fundação Araripe, por meio do projeto Pomares da Caatinga, realizou uma ampla mobilização de carregamento, entrega e plantio de mudas no Semiárido nordestino, com ações nos estados do Ceará e Pernambuco neste final de semana. A iniciativa fortalece a restauração ambiental, a recuperação de áreas degradadas e a sociobioeconomia da Caatinga.
Ao longo das ações mais recentes, foram entregues mais de 40 mil mudas, consolidando uma das metas do projeto, que já atingiu mais de 100% do número previsto de mudas produzidas e plantadas durante os três anos de atuação.
Ceará: restauração no Núcleo de Desertificação de Irauçuba
Na região de Irauçuba (CE), município inserido em um dos principais núcleos de desertificação do país, foram entregues aproximadamente 20 mil mudas de Moringa (Moringa oleifera), ideal por ser uma espécie oleifera, apícola e pelo seu potencial forrageiro, sendo também estratégica para a recuperação de áreas degradadas, incluindo ações no Assentamento Saco do Vento e no Assentamento Olho D’água da Esperança.
Na região de Irauçuba as atividades aconteceram para restaurar áreas degradadas e fortalecer as iniciativas socioprodutivas, no núcleo de desertificação. Ao todo vão ser plantadas 115 mil mudas no Núcleo de Desertificação de Irauçuba, restaurando áreas degradadas e fortalecendo a segurança alimentar dos rebanhos. A ação conta com apoio do Fundo Socioambiental CAIXA.
Segurança alimentar para os rebanhos
Dona Verônica Ramos, do Assentamento Olho D’água da Esperança, é uma das beneficiárias do projeto na região de Irauçuba. A alegria era evidente no momento do recebimento das mudas. “É com muita alegria que a gente está recebendo essas mudas de Moringa, que vão ser muito importantes para a alimentação do nosso gado.”
Seu Raimundo Nonato, esposo de Dona Verônica, compartilha do mesmo sentimento e celebra a expectativa de enfrentar o próximo período de estiagem com mais segurança. “Eu acho que ela já disse tudo. Apesar de a gente ser leigo nisso daqui, a gente sabe que é uma experiência que dá certo. Se Deus quiser, quando for no próximo ano, nós vamos ter muita forragem. Não vamos mais estar sofrendo, porque vamos ter nossa própria forragem na propriedade.”
De acordo com Karina Braga, técnica da Fundação Araripe, a produção de mudas forrageiras contribuirá diretamente para a alimentação dos animais durante o período de estiagem. “Os agricultores criadores sentem muita dificuldade para alimentar seus animais no verão. Com a moringa (Moringa oleifera), junto com outras forrageiras, eles terão segurança alimentar. O impacto será menor com a redução dos custos com farelo de soja e milho.”
Segundo Karina, a moringa é rica em proteína — podendo chegar a 33% — o que contribui para o aumento da produção de leite, ganho de peso e melhoria na qualidade da carne. “Essa forragem é ótima para alimentação de bovinos, ovinos, aves e suínos. Em Irauçuba somos uma bacia leiteira, e com a moringa a esperança dos produtores só aumenta para a produção de leite.”
Pernambuco também avança no plantio
Em Pernambuco, o município de Ouricuri recebeu 5 mil mudas de Sabiá (Mimosa caesalpiniifolia), com início imediato do plantio. Já no Assentamento Milagres, em Trindade, foram entregues 4.700 mudas de moringa (Moringa oleifera), fortalecendo a recuperação ambiental e a produção rural.
O técnico Ismael Dantas destaca a transformação promovida pelo projeto ao longo dos três anos de atuação nos estados do Ceará e Pernambuco. “Na minha visão, o projeto Pomares da Caatinga está fazendo uma mudança imensurável para o meio ambiente e para as famílias do Semiárido. Está restaurando áreas degradadas, recuperando nascentes e inserindo a conscientização de que o meio ambiente é importante para o mundo.”
Plantar na Caatinga é investir no futuro
De acordo Francisco Campello, diretor técnico da Fundação Araripe e presidente do Conselho da Reserva da Biosfera da Caatinga, mais do que a entrega de mudas, o projeto Pomares da Caatinga representa recuperação ambiental, segurança alimentar, redução de custos de produção e fortalecimento da agricultura familiar. Ao superar a meta prevista de produção e plantio de mudas, o projeto reafirma que a restauração no Semiárido é possível quando há planejamento técnico, investimento socioambiental, políticas públicas e envolvimento das comunidades.
Francisco destacou a importância estratégica do projeto para o Semiárido: “O Pomares da Caatinga demonstra, na prática, que restaurar o bioma é possível quando unimos ciência, planejamento técnico e participação das comunidades. Ao recuperarmos áreas degradadas e implantarmos sistemas produtivos adaptados ao Semiárido, estamos fortalecendo a segurança alimentar, reduzindo a pressão sobre os recursos naturais e construindo um modelo de desenvolvimento baseado na valorização da sociobiodiversidade da Caatinga. Mais do que plantar mudas, estamos plantando resiliência, renda e futuro para o território.”
O Projeto Pomares da Caatinga é uma iniciativa da Fundação Araripe voltada à restauração de áreas degradadas e ao fortalecimento das ações socioprodutivas no bioma Caatinga, promovendo a convivência sustentável com o Semiárido, a implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs), a recuperação de nascentes e a valorização da sociobiodiversidade regional.

