Especialistas nacionais e internacionais discutiram soluções para a degradação dos solos e as mudanças climáticas; Campello apresentou experiências desenvolvidas no Semiárido nordestino.

O diretor técnico da Fundação Araripe, Francisco Campello, participou nesta quarta-feira (17) do Seminário Internacional sobre Combate à Desertificação: desafios científicos e tecnológicos para o Semiárido, realizado no Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, em Brasília. O evento reuniu representantes do poder público, pesquisadores, organismos internacionais, universidades e organizações da sociedade civil para discutir soluções voltadas ao enfrentamento da desertificação e das mudanças climáticas nas regiões semiáridas.

Francisco Campello integrou o Painel 2, que abordou o tema “Ciência, Tecnologia e Inovação para a inclusão socioprodutiva no combate à desertificação”. Em sua apresentação, o diretor técnico da Fundação Araripe compartilhou experiências desenvolvidas pela instituição ao longo de décadas de atuação no Semiárido brasileiro, destacando iniciativas voltadas à restauração ambiental, ao manejo sustentável dos recursos naturais, à recuperação de áreas degradadas, ao fortalecimento da sociobioeconomia e à promoção de tecnologias adaptadas às condições da Caatinga.

Ao abordar os desafios da região, Campello ressaltou a necessidade de ampliar a valorização das práticas sustentáveis já existentes no Semiárido. “É possível conviver com a semiaridez, é possível produzir e também é possível fazer tudo isso de forma harmônica”, afirmou. Segundo ele, muitas das soluções para o combate à desertificação já estão presentes no cotidiano das comunidades rurais, mas precisam ser fortalecidas por meio da ciência, da tecnologia e da inovação.

Durante o painel, o diretor técnico também destacou a importância da conservação dos recursos naturais como estratégia de desenvolvimento. “A restauração é extremamente penosa. Por isso, precisamos valorizar as formas de uso sustentável que evitam a degradação e mantêm a biodiversidade”, enfatizou. Entre os exemplos apresentados estiveram experiências de manejo florestal sustentável, sistemas silvipastoris, apicultura, uso de frutos nativos e iniciativas de bioeconomia capazes de gerar renda e conservar a Caatinga.

A participação da Fundação Araripe reforçou o reconhecimento do trabalho desenvolvido pela instituição em projetos de conservação e desenvolvimento sustentável, além de contribuir para o debate sobre políticas públicas, inovação e estratégias de convivência com o Semiárido. O painel também contou com a participação de representantes do Instituto Nacional do Semiárido (INSA/MCTI) e da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), promovendo o intercâmbio de conhecimentos e experiências voltadas à construção de soluções para os desafios ambientais e sociais da região.

Promovido pelo Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Câmara dos Deputados (CEDES), em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Frente Parlamentar Mista Ambientalista, o seminário buscou fortalecer o diálogo entre ciência, gestão pública e sociedade civil para ampliar as ações de combate à desertificação, à degradação dos solos e à escassez hídrica. O evento também discutiu mecanismos de financiamento, adaptação climática e desenvolvimento territorial sustentável para as populações que vivem nas áreas mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas.

Ao encerrar sua participação, Campello reforçou a necessidade de reconhecer o valor estratégico da biodiversidade da Caatinga para evitar o avanço da degradação ambiental. “Precisamos reconhecer a biodiversidade como um ativo estratégico para que a única alternativa não seja retirar a Caatinga para plantar. É justamente aí que começa a desertificação”, concluiu.

A programação foi transmitida pelo canal da Câmara dos Deputados no YouTube e reuniu especialistas nacionais e internacionais em um debate estratégico sobre o futuro do Semiárido brasileiro.