Fundação Araripe destaca parceria com a comunidade Atikum no Dia Nacional dos Povos Indígenas
Ações de reflorestamento e sociobioeconomia do projeto Pomares da Caatinga unem saberes tradicionais e técnicos no semiárido pernambucano
Celebrado em 19 de abril, o Dia Nacional dos Povos Indígenas é um momento de reconhecimento da importância histórica, cultural e ambiental dessas populações na formação do país. Mais do que uma data simbólica, o dia reforça a necessidade de valorizar os saberes tradicionais e o papel fundamental dos povos originários na preservação dos biomas brasileiros.
É nesse contexto que a Fundação Araripe desenvolve ações em parceria com comunidades indígenas do Nordeste, promovendo a integração entre conhecimentos ancestrais e técnicos para fortalecer a conservação ambiental e a sociobioeconomia. A convivência harmoniosa com o semiárido, baseada no respeito aos ciclos da natureza, é um dos principais aprendizados compartilhados por essas populações.
Na comunidade indígena Atikum, na localidade de Santíssima Trindade, entre os municípios de Trindade e Ouricuri, em Pernambuco, essa parceria tem gerado resultados concretos. Após incêndios registrados em 2025, que afetaram áreas do território, a comunidade buscou apoio junto à Fundação Araripe para iniciar um processo de recuperação ambiental por meio do reflorestamento.
O cacique Wedson Atikum destaca que a iniciativa tem contribuído para a regeneração da vegetação nativa e o fortalecimento da comunidade. “Estamos plantando espécies como imburana, moringa, ipê e craibeira dentro do nosso território. Essa parceria com a Fundação Araripe, por meio do projeto Pomares da Caatinga, tem crescido e fortalecido o nosso povo, além de cuidar da nossa maior riqueza, que é o bioma Caatinga”, afirmou.
De acordo com o técnico da Fundação Araripe, Cícero Lucas, já foram plantadas mais de 46 mil mudas de espécies nativas na região. Além da recomposição florestal, a ação também promove benefícios diretos para a produção local e a geração de renda. “Entre as espécies trabalhadas, incluímos plantas com potencial medicinal, como a aroeira, além do sabiá, que possui valor madeireiro e é importante para a apicultura. Também utilizamos espécies forrageiras, como a moringa e a gliricídia, que contribuem para a alimentação dos animais e para o desenvolvimento das atividades produtivas da comunidade”, explicou.
As ações desenvolvidas na comunidade Atikum fazem parte do Projeto Pomares da Caatinga, uma iniciativa da Fundação Araripe, com apoio do Fundo Socioambiental CAIXA (FSA CAIXA), que tem como objetivo promover a recuperação de áreas degradadas e a criação de sistemas produtivos sustentáveis no semiárido. O projeto atua por meio da implantação de Arranjos Produtivos Locais (APL) voltados à produção de sementes e mudas nativas, incentivando a restauração ambiental aliada à geração de renda.
Com atuação em territórios de Pernambuco e Ceará, o Pomares da Caatinga já alcançou resultados expressivos, contribuindo para o plantio de centenas de milhares de mudas nativas e fortalecendo cadeias produtivas ligadas à sociobioeconomia. A iniciativa também promove capacitações, assistência técnica e o envolvimento direto das comunidades, consolidando um modelo de desenvolvimento que valoriza o uso sustentável da biodiversidade da Caatinga.

