Publicação reúne orientações técnicas e experiências voltadas à recuperação ambiental, uso sustentável da Caatinga e fortalecimento da resiliência no Semiárido

A Fundação Araripe lançou nesta semana, em Fortaleza (CE), o Guia Restauração da Caatinga: Boas práticas para técnicos ambientais, gestores públicos, organizações sociais e produtores rurais, durante a programação do seminário Terras Secas II – Prevenir a Desertificação e Fortalecer a Sustentabilidade no Semiárido. A publicação é fruto do projeto Raízes da Caatinga: Restaurando para uma Conservação Socioprodutiva na APA Chapada do Araripe e representa uma importante contribuição para o fortalecimento das ações de restauração ecológica no único bioma exclusivamente brasileiro.

O lançamento reuniu representantes de instituições públicas, pesquisadores, especialistas e organizações que atuam na promoção do desenvolvimento sustentável do Semiárido. A equipe da Fundação Araripe participou do evento ao lado do diretor do Departamento de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Alexandre Pires, e da coordenadora de Unidades de Conservação da Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará (SEMA-CE), Angélica Jorge.

A publicação foi elaborada para apoiar técnicos, gestores, produtores rurais, organizações sociais e comunidades locais que atuam na recuperação de áreas degradadas, reunindo conhecimentos científicos, orientações metodológicas e experiências práticas desenvolvidas em diferentes territórios da Caatinga.

Para a secretária-geral da Fundação Araripe, Patrícia Campello, o guia representa um importante instrumento para ampliar a efetividade das ações de restauração no Semiárido.
“A restauração da Caatinga exige conhecimento técnico, planejamento e, sobretudo, o envolvimento das comunidades que vivem e dependem desse bioma. Este guia foi construído para aproximar a ciência das práticas de campo, oferecendo orientações que possam fortalecer iniciativas de recuperação ambiental e desenvolvimento sustentável em toda a região”, destacou.

O diretor técnico da Fundação Araripe, Francisco Campello, ressaltou que a publicação reúne décadas de aprendizado acumulado por pesquisadores, técnicos e agricultores que convivem diariamente com os desafios da restauração ecológica no Semiárido. “A Caatinga possui características únicas e restaurá-la exige compreender seus ciclos, sua biodiversidade e a realidade das comunidades locais. Este guia sistematiza experiências e conhecimentos que podem contribuir para tornar os processos de restauração mais eficientes, fortalecendo a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais”, afirmou.

A elaboração do guia contou com a organização e revisão de Maria Helena Araújo Barreto Campello, Caetano Rodrigues, Daniele de Carvalho Siebra e Francisco Carneiro Barreto Campello, além da colaboração técnica de Alecksandra Vieira de Lacerda, José de Arimatéa Silva, Julio Paupitz, Thiago Roberto Soares Vieira e Vânia Apolônio de Trajano.

O lançamento ocorre em um momento importante para a agenda ambiental brasileira, marcado pela promulgação da Lei nº 15.430/2026, que institui a Política Nacional para Recuperação da Vegetação da Caatinga e cria o Programa Nacional para a Recuperação da Vegetação da Caatinga. A nova legislação reforça o compromisso do país com a conservação, recuperação e valorização desse patrimônio natural estratégico para o desenvolvimento sustentável do Semiárido.

O projeto Raízes da Caatinga integra o conjunto de iniciativas apoiadas pelo programa Floresta Viva/Caatinga Viva, com financiamento do BNDES e do Banco do Nordeste (BNB), tendo o Funbio como parceiro gestor. A iniciativa busca promover a restauração ecológica, a conservação da biodiversidade e a inclusão socioprodutiva de comunidades que vivem na região da Chapada do Araripe.

A realização do seminário Terras Secas II é da Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará (SEMA-CE), da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e da Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará (SRH), reunindo especialistas e representantes de instituições públicas para debater estratégias de enfrentamento à desertificação e fortalecimento da sustentabilidade no Semiárido.